A situação da violência no Brasil é tão grave que será muito difícil revertê-la ou mantê-la sob controle, afirmou nesta quinta-feira no Rio o general Alberto Cardoso, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.
Para o general Cardoso, “estamos chegando próximo de um ponto de não-retorno”. Ele se referia, em palestra para cerca de 200 metalúrgicos, ao atual quadro de violência no país.
Ele disse que “ou se ataca com vontade” problemas como o “das injustiças sociais” ou “se chega a um ponto em que é melhor desistir”. A saída para controlar a violência, disse, é “uma cruzada nacional”, na qual se engajariam a sociedade e os governos federal, estaduais e municipais.
“O consumismo é a doutrina que se procura seguir. Nem sempre pode ser atingida essa expectativa de consumo. Busca-se o caminho mais fácil, que é o do crime. Mata-se com a maior tranquilidade. Como se estivesse afastando o obstáculo em uma caminhada”, afirmou Cardoso.
Segundo ele, o Plano Nacional de Segurança Pública, instituído pelo governo federal em junho, fracassará caso não haja a participação social na busca de soluções.
“O problema da segurança pública não pode ficar apenas confiado ao Estado ou aos governos. Não se pode imaginar que eles vão resolver isso sozinhos”, disse.
Na palestra de abertura do Seminário Nacional dos Metalúrgicos, organizado pela central Força Sindical, ele defendeu que os segmentos sociais exerçam pressão sobre as administrações públicas.
“A forma de a sociedade participar do combate à violência é pressionando. A sociedade, pressionando, mostra uma urgência para a qual nós, autoridades, não estamos alertas”, disse o general.
A “cruzada nacional” que vislumbrou como saída para a crise da violência no Brasil não será organizada pelo governo federal.
“Não seria eficaz (a organização pelo governo). É mais um trabalho de tomada de consciência por parte da sociedade. Todos temos responsabilidades nisso aí”, disse.
Na opinião do general, os sindicatos, as igrejas de diferentes religiões, as escolas, as organizações não-governamentais e as famílias deveriam se engajar nesse movimento contra a violência.
“A família deve ser, ao mesmo tempo, instrumento e vetor dessa cruzada. As igrejas têm que se envolver em uma campanha de recuperação de valores espirituais”, afirmou Cardoso, para quem “o povo tem que se conscientizar” da necessidade de lutar pela volta “e alguns valores perdidos”.
Concordo plenamente com o General, mas no afã de democratizarmos o nosso País deixamos tudo muito livre, e esta liberdade virou libertinagem. O professor não pode repreender um aluno. Se o fizer pode sofrer retalhamento da sociedade. Acho que está na hora de concordar que muita psicologia na educação não resolve em certos casos.
Tudo isso é reflexo da falta de educação doméstica. E educação começa mesmo em casa, a Escola é complemento. Eduque seus filhos sobrinhos e netos, nem tudo que eles fazem é muito bonitinho.
SÉRGIO TORRES