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ACONTECEU NO BRASIL.BNDES DEIXOU DE INVESTIR EM CAUSAS SOCIAIS SEUS RECURSOS PARA TENTAR SALVAR EMPRESA DE JORNALISMO DA FALÊNCIA!

Agosto 27, 2008 · 2 Comentários

HISTÓRICO ACONTECEU EM 2002

Apesar da burocracia para obter um empréstimo

simples no País, algumas empresas com enormes

dívidas conseguem crédito fácil com o dinheiro dos

impostos pagos pelo povo brasileiro. É bem possível

que as Organizações Globo voltem a receber do Banco

Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

(BNDES) recursos para tentar sanar parte da dívida

‘impagável’ de mais de US$ 2 bilhões do conglomerado

– segundo levantamento da própria Globopar, holding

que controla a TV Globo e a Globocabo. Este seria um

paliativo para a empresa de comunicação, que vem

amargando prejuízos nos últimos tempos, como o

investimento malsucedido na Net.

O possível investimento poderia representar um grande

erro estratégico do banco estatal. Antes mesmo de um

anúncio oficial do BNDES, todos já começam a reclamar.

Afinal, o dinheiro público estaria sendo utilizado em

benefício de uma empresa particular. Sem falar que

estes recursos deixariam de atender à população mais

carente. Além disso, confirmaria um precedente: em

março de 2002, as Organizações Globo já tinham

recebido R$ 284 milhões. Uma situação complicada,

porque outras instituições ligadas ao mesmo ramo de

negócios e que passam por problemas semelhantes já

ouviram um sonoro “não” do banco.

A direção do BNDES disfarça e promete ser dura. O

presidente da instituição, Carlos Lessa, garante que não

dará tratamento especial ao conglomerado. Ele explica

que o banco tem estudado regras gerais para todas as

mídias, porém, outras empresas não obtiveram a

mesma resposta positiva dada à Rede Globo.

O deputado bispo Rodrigues já reclamou deste

envolvimento do BNDES com a Globo Cabo no

Congresso Nacional. O vice-presidente do grupo

Bandeirantes, Antonio Teles, foi mais contundente ao

lamentar que a instituição bancária estivesse se

tornando parceira de uma empresa insolvente, só para

atender às necessidades da Globo.

O tratamento privilegiado à empresa se explica pelo

seus resultados. Atualmente, a Rede Globo conta com

50% da audiência e 78% da verba publicitária em

televisão – sendo que 50% destes valores vêm do governo.CONTINUE

Privilégio de poucos
Algumas fontes garantem que o BNDES realmente estuda promover uma espécie de Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional) para a mídia. Para quem não se recorda, através do Proer, instituído em 1995, o Governo Federal absorveu dívidas de algumas instituições bancárias para evitar uma “quebradeira generalizada” e um possível desmantelamento da economia, que aprendia a conviver com o Real. Nunca é demais lembrar que, no caso específico da ‘Vênus Platinada’, a verba não foi um investimento, mas sim dinheiro para saldar dívidas de uma má administração.

As Organizações Globo ficariam com a fatia mais gorda deste bolo, recebendo R$ 5 bilhões. Já o Grupo Abril teria o seu quinhão em dólares, cerca 1 bilhão. As empresas do conglomerado Estado de S. Paulo ficariam com a menor parte – ‘apenas’ R$ 500 milhões.

Outro indício de que estes expressivos recursos podem ser liberados vem do próprio presidente do BNDES. Assim como aconteceu com os bancos até a instituição do Proer, ele reconheceu que as empresas de comunicação sofreram endividamento excessivo em dólar, sem ter o crescimento necessário para suprir esta situação.

Um império que cai
A ameaça do império global ruir tem capítulos dramáticos. Como em suas novelas exportadas para o mundo inteiro, há suspense e muita intriga. Um dos mais recentes episódios é o pedido de falência involuntária da Globopar, solicitado pela Corte de Falências dos Estados Unidos, depois da ação de três credores norte-americanos. Os grupos GMAM Investment Funds Trust I, Foundations For Research e WRH Global Securities Pooled Trust acusam a Globo de estar devendo US$ 94,3 milhões.

A Globo tem 20 dias para apresentar a defesa na Justiça de Nova Iorque após receber a notificação, enviada pelo Correio no último dia 15 de dezembro. Uma audiência com as partes envolvidas deverá ser marcada pelo juiz que cuida do caso.

Na hipótese de acatar a solicitação dos credores, o juiz poderá incluir a Globo no chamado Chapter 11 (equivalente à concordata na legislação brasileira), ou até mesmo promover a liquidação do grupo. Em setembro passado, os credores internacionais enviaram uma contraproposta para renegociar com o conglomerado, que ainda não havia respondido.

O declínio das Organizações Globo lembra, em muito, o que aconteceu com os Diários Associados, consórcio que monopolizou a mídia no País durante boa parte do século passado e que detinha os direitos de veículos influentes, como a revista O Cruzeiro, o Jornal do Commercio e a TV Tupi. Controlado por mãos de ferro do seu proprietário, Assis Chateaubriand, foi quase extinto depois da sua morte.

A origem da dívida
A Globocabo tornou-se a grande responsável pelo aumento da dívida do grupo. Em 2001, a dívida era de um bilhão e 600 mil reais, com rolagem de 500 milhões por ano. Apesar da capacidade técnica para suprir até seis milhões de assinantes, a empresa registra apenas 1,5 milhão de pagantes. Em 2002, o prejuízo acumulou mais 600 milhões de reais. Os juros e as participações acionárias também têm castigado as finanças do conglomerado. As despesas financeiras líquidas somaram, em seis meses, R$ 640 milhões.

Conforme o balanço de junho/2002, a Globopar encerrou o primeiro semestre daquele ano com dívida total de R$ 7,042 bilhões, o que correspondia a US$ 2,475 bilhões ao câmbio oficial do fim de junho (R$ 2,8444). Desse total, 86% correspondiam a dividas em moeda estrangeira, sendo a maior parte em títulos nas mãos de investidores como fundos de pensão e seguradoras.

Relatórios da Globocabo confirmam as dificuldades. O mercado de TV a cabo não cresceu como se esperava. Em 2002, houve uma queda considerável no número de assinantes. Estes resultados negativos fizeram o preço das ações cair. Tanto que quem comprou ações da empresa teve prejuízo de 11% em 2002.

Atualmente, a TV Globo detém o primeiro lugar de audiência televisiva no Brasil e, desde a sua criação, aumentou o número de afiliadas da emissora. Eram apenas 70 afiliadas nos anos 90; hoje, já são 113. As afiliadas estão distribuídas por todo o País, abrangendo 99,17% do território nacional.

Por tudo isso começam a especular o preço que será pago caso seja vendida. É certo que as Organizações Globo controlam ativos muito valiosos como, por exemplo, uma emissora que forma a opinião pública no País. Há uma convicção crescente que este conglomerado deverá ser dissolvido para salvar a corporação de uma iminente crise.

http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/cartas/2004/02/09/jorcolcts20040209001.html

O editorial do JB, Império em Decomposição(9/2), nos fala do processo de insolvência financeira das Organizações Globo, resgatando um tema cujo protagonista já percorreu as páginas deste mesmo jornal, em editorial publicado no início dos anos 90, quando da eleição do ex-governador Brizola. Na época, inconformado com o ato administrativo de Brizola, que suspendeu um contrato de publicidade firmado, ao fim do governo Moreira Franco, com o Banco do Estado do Rio de Janeiro, a Globo desferiu inúmeros ataques ao JB. Este respondeu com denúncias graves às Organizações Globo, que questionavam as razões que levaram a Vênus Platinada, empresa falida, a transformar-se num império do ramo de comunicações. Entre as denúncias incluíam-se, para espanto geral, ligações com o crime organizado. A Globo jamais contestou ou emitiu quaisquer explicações; sequer exigiu retratação pública. Preferiu o silencio, que, apenas, deixa dúvidas. Como se a questão fosse uma sepultura caiada, daquelas que apresentam aparente limpeza. Nunca é tarde para exumar o mistério desse sepulcro e tentar expor o que poucos sabem e insistem em esconder do povo brasileiro.

http://www.consciencia.net/citacoes/marinho.html

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