Apesar da burocracia para obter um empréstimo
simples no País, algumas empresas com enormes
dívidas conseguem crédito fácil com o dinheiro dos
impostos pagos pelo povo brasileiro. É bem possível
que as Organizações Globo voltem a receber do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) recursos para tentar sanar parte da dívida
‘impagável’ de mais de US$ 2 bilhões do conglomerado
– segundo levantamento da própria Globopar, holding
que controla a TV Globo e a Globocabo. Este seria um
paliativo para a empresa de comunicação, que vem
amargando prejuízos nos últimos tempos, como o
investimento malsucedido na Net.
O possível investimento poderia representar um grande
erro estratégico do banco estatal. Antes mesmo de um
anúncio oficial do BNDES, todos já começam a reclamar.
Afinal, o dinheiro público estaria sendo utilizado em
benefício de uma empresa particular. Sem falar que
estes recursos deixariam de atender à população mais
carente. Além disso, confirmaria um precedente: em
março de 2002, as Organizações Globo já tinham
recebido R$ 284 milhões. Uma situação complicada,
porque outras instituições ligadas ao mesmo ramo de
negócios e que passam por problemas semelhantes já
ouviram um sonoro “não” do banco.
A direção do BNDES disfarça e promete ser dura. O
presidente da instituição, Carlos Lessa, garante que não
dará tratamento especial ao conglomerado. Ele explica
que o banco tem estudado regras gerais para todas as
mídias, porém, outras empresas não obtiveram a
mesma resposta positiva dada à Rede Globo.
O deputado bispo Rodrigues já reclamou deste
envolvimento do BNDES com a Globo Cabo no
Congresso Nacional. O vice-presidente do grupo
Bandeirantes, Antonio Teles, foi mais contundente ao
lamentar que a instituição bancária estivesse se
tornando parceira de uma empresa insolvente, só para
atender às necessidades da Globo.
O tratamento privilegiado à empresa se explica pelo
seus resultados. Atualmente, a Rede Globo conta com
50% da audiência e 78% da verba publicitária em
televisão – sendo que 50% destes valores vêm do governo.CONTINUE
Privilégio de poucos
Algumas fontes garantem que o BNDES realmente estuda promover uma espécie de Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional) para a mídia. Para quem não se recorda, através do Proer, instituído em 1995, o Governo Federal absorveu dívidas de algumas instituições bancárias para evitar uma “quebradeira generalizada” e um possível desmantelamento da economia, que aprendia a conviver com o Real. Nunca é demais lembrar que, no caso específico da ‘Vênus Platinada’, a verba não foi um investimento, mas sim dinheiro para saldar dívidas de uma má administração.
As Organizações Globo ficariam com a fatia mais gorda deste bolo, recebendo R$ 5 bilhões. Já o Grupo Abril teria o seu quinhão em dólares, cerca 1 bilhão. As empresas do conglomerado Estado de S. Paulo ficariam com a menor parte – ‘apenas’ R$ 500 milhões.
Outro indício de que estes expressivos recursos podem ser liberados vem do próprio presidente do BNDES. Assim como aconteceu com os bancos até a instituição do Proer, ele reconheceu que as empresas de comunicação sofreram endividamento excessivo em dólar, sem ter o crescimento necessário para suprir esta situação.
Um império que cai
A ameaça do império global ruir tem capítulos dramáticos. Como em suas novelas exportadas para o mundo inteiro, há suspense e muita intriga. Um dos mais recentes episódios é o pedido de falência involuntária da Globopar, solicitado pela Corte de Falências dos Estados Unidos, depois da ação de três credores norte-americanos. Os grupos GMAM Investment Funds Trust I, Foundations For Research e WRH Global Securities Pooled Trust acusam a Globo de estar devendo US$ 94,3 milhões.
A Globo tem 20 dias para apresentar a defesa na Justiça de Nova Iorque após receber a notificação, enviada pelo Correio no último dia 15 de dezembro. Uma audiência com as partes envolvidas deverá ser marcada pelo juiz que cuida do caso.
Na hipótese de acatar a solicitação dos credores, o juiz poderá incluir a Globo no chamado Chapter 11 (equivalente à concordata na legislação brasileira), ou até mesmo promover a liquidação do grupo. Em setembro passado, os credores internacionais enviaram uma contraproposta para renegociar com o conglomerado, que ainda não havia respondido.
O declínio das Organizações Globo lembra, em muito, o que aconteceu com os Diários Associados, consórcio que monopolizou a mídia no País durante boa parte do século passado e que detinha os direitos de veículos influentes, como a revista O Cruzeiro, o Jornal do Commercio e a TV Tupi. Controlado por mãos de ferro do seu proprietário, Assis Chateaubriand, foi quase extinto depois da sua morte.
A origem da dívida
A Globocabo tornou-se a grande responsável pelo aumento da dívida do grupo. Em 2001, a dívida era de um bilhão e 600 mil reais, com rolagem de 500 milhões por ano. Apesar da capacidade técnica para suprir até seis milhões de assinantes, a empresa registra apenas 1,5 milhão de pagantes. Em 2002, o prejuízo acumulou mais 600 milhões de reais. Os juros e as participações acionárias também têm castigado as finanças do conglomerado. As despesas financeiras líquidas somaram, em seis meses, R$ 640 milhões.
Conforme o balanço de junho/2002, a Globopar encerrou o primeiro semestre daquele ano com dívida total de R$ 7,042 bilhões, o que correspondia a US$ 2,475 bilhões ao câmbio oficial do fim de junho (R$ 2,8444). Desse total, 86% correspondiam a dividas em moeda estrangeira, sendo a maior parte em títulos nas mãos de investidores como fundos de pensão e seguradoras.
Relatórios da Globocabo confirmam as dificuldades. O mercado de TV a cabo não cresceu como se esperava. Em 2002, houve uma queda considerável no número de assinantes. Estes resultados negativos fizeram o preço das ações cair. Tanto que quem comprou ações da empresa teve prejuízo de 11% em 2002.
Atualmente, a TV Globo detém o primeiro lugar de audiência televisiva no Brasil e, desde a sua criação, aumentou o número de afiliadas da emissora. Eram apenas 70 afiliadas nos anos 90; hoje, já são 113. As afiliadas estão distribuídas por todo o País, abrangendo 99,17% do território nacional.
Por tudo isso começam a especular o preço que será pago caso seja vendida. É certo que as Organizações Globo controlam ativos muito valiosos como, por exemplo, uma emissora que forma a opinião pública no País. Há uma convicção crescente que este conglomerado deverá ser dissolvido para salvar a corporação de uma iminente crise.
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/cartas/2004/02/09/jorcolcts20040209001.html
http://www.consciencia.net/citacoes/marinho.html
2 respostas Até agora ↓
Ministério libera R$ 45 milhões para atingidos por chuvas em Santa Catarina, isto não é nada em comparação com os 12 bilhões que a midia golpita queria emprestado do BNDES quando esta totalmente falida. « Epocaestado Brasil // Dezembro 5, 2008 às 12:00 am |
[...] Veja agora quanto a midia queria [...]
Ministério libera R$ 45 milhões para atingidos por chuvas em Santa Catarina, isto não é nada em comparação com os 12 bilhões que a midia golpista queria emprestado do BNDES quando esta totalmente falida. « Epocaestado Brasil // Dezembro 5, 2008 às 12:01 am |
[...] Veja agora quanto a midia queria [...]